Acho estas palavras bastante sensatas e caracterizadoras de uma realidade que muitos de nós, demasiados até, conhecemos.
Sermos dispensados como se fôssemos uma simples folha de papel que vai para o lixo, apenas e exclusivamente por razões económicas é frustrante, porque mesmo não sendo o teu trabalho, o teu profissionalismo, o teu talento que está em causa, acabas sempre por germinar uma pequena dúvida acerca de ti próprio: será que o defeito é meu? E não, não é. E hoje eu compreendo isto. Compreendo que cometo erros, que tenho muito que aprender, mas também tenho a humildade de assumir que sou boa naquilo que faço e é o empregador quem fica a perder.
Já passei por alguns locais de trabalho na área da comunicação, quer enquanto jornalista, quer enquanto assessora, mas sempre a prazo. E no final há lágrimas, e gritos de guerra quanto à injustiça, mas é assim a realidade empresarial de hoje. Quem está no topo não quer saber de quem está cá em baixo e luta para que o projecto resulte e tenha sucesso. Somos mais um € ao invés de pessoas. Além disso, a crise é a desculpa, esfarrapada, para tudo! Estão em lay off? É a crise. Foi despedido? É a crise. Têm salários em atraso? É a crise. A crise, a crise, a crise... É um excelente bode expiatório para decisões rápidas é certo, mas nada justas nem racionais.
2 comentários:
Também eu li as palavras do Arrumadinho e como elas fazem ainda tanto, mas tanto sentido...
Como tu dizes, a crise é a desculpa ideal para tudo, para atrasos nos pagamentos, para não se investir em novas contratações...
Para quando um futuro mais ridonho? Parece muito longe, mas, até lá, só nos resta continuar a lutar!
O segredo é viver um dia de cada vez e não baixar os braços, nunca! Há dias maus, em que nos apetece dizer mal de tudo e de toda a gente, pois que o façamos, mas que não nos deixemos conduzir por isso.
No momento a seguir, é limpar as lágrimas, erguer a cabeça e continuar. Se não fazemos por nós, quem o fará?
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